Inteligência do coração
Comentário do post de 23 de junho.
Isso é mesmo muito "tricky", intrigante... um koan, então (meus amigos budistas e eu gostamos de brincar com estas armadilhas mentais): como não se tornar repetitivo ao pensar periodicamente nas questões que você apresentou? ).
Me lembrou aquela historinha muito legal (acho que em "A tijela e o bastão") sobre a mente e o espelho... há que se limpar para evitar o acúmulo de pó. Aí o monge mais "bronco", analfabeto e tal, pede que escrevam para ele "se não existe espelho, onde irá se acumular pó?" Este "bronco" veio a se tornar o 6º patriarca do budismo zen, Hui Neng (também citado em "Wisdom of the zen masters", em quadrinhos, por Tsai Chih Chung, Anchor Books, pag. 26 e 27)
Tati Karpa | otrecocerto.blogspot.com | 24/06/2008 21:23

Gostei do comentário da Tati porque me inspirou a contar uma história de Eknath Maharaj um verdadeiro yogue da Índia, que acolhia a todos com os seus ensinamentos sobre yoga. Apesar de pobre Eknath Maharaj aceitou cuidar de um filho deficiente mental a pedido da mãe do menino, devota de Eknath Mararaj, que em função da pobreza confiou a ele a guarda de seu filho. O menino nada sabia fazer até que Eknath Maharaj ensinou a preparar um docinho assado típico da região, os famosos purampolis, que Eknath Maharaj dava às visitas e buscadores da verdade que o procuravam como prasada (alimento espiritual) .
Tocado pelo amor incondicional de Eknath Maharaj o sensível menino logo se torna um incomparável cozinheiro de purampolis, e seguia feliz da vida com infinita e pura obediência ao seu guru, seu pai espiritual.
Seu apelido no ashram (a casa do guru) tornou-se Purampoli.
O tempo passou e Eknath Maharaj adoeceu e rumores corriam entre seus discípulos mais antigos e letrados, qual deles seria escolhido e encarregado para terminar, após a morte do guru, os comentários ao Ramayana – escritura hindu – que ao que parecia o mestre não teria tempo de terminar nesta vida.
Eknath Maharaj se foi deste mundo físico (apenas ) e a nenhum deles delegou tão importante missão sobre as escrituras. Com o tempo o menino especial que de forma tão pura e sincera havia servido ao seu mestre e que não sabia ler nem escrever (até aquele momento) começou, para a surpresa de todos, a escrever os comentários do Ramayana na mesma linha de ensinamentos e vocabulário do guru, ou melhor ainda como extensão das palavras e sentimentos de Eknath Maharaj.
E em pouco tempo todo o trabalho estava concluído!
Namaste