A mente - minha melhor amiga ou minha pior inimiga

 

 

Na semana passda ocorrreu algo em São Paulo muito comum e perigoso entre seres humanos. Ocorreu na mídia ávida por más notícias, quando divulgou intensamente a queda de um avião, quando na verdade era um incêndio (acidente de proporções menores). Isto sempre me remete a entender a mente humana. A mente humana possue uma energia poderosa chamada nos textos antigos de Manas Shakti e a natureza ou o corpo humano possue o Prana Shakti. Quando estas duas se manifestam e se unem criam-se universos. Um sábio yogue do estado de Maharashtra / India dizia "que a mente pode ser o seu melhor amigo ou o seu pior inimigo". A mente é quem cria confusões a pratica do yoga desfaz. O meu estimado

Sri Ramakrishna de Calcutá/India  alertava que se uma pessoa parar de falar dos outros e dedicar este tempo e esta energia gasta em prol da sua prática de yoga, esta pessoa poderá se iluminar nesta vida.

Dê uma lida na historia sufi onde os mestres desta tradição já nos alertava do poder da fala e da mente.

 

 O caso do dervixe chorão

 

 

  Um dervixe atravessava uma pequena cidade formada de apenas duas ruas. Vinha por uma delas e chorava. Não que algo lhe doesse no corpo ou na alma. Mas por uma razão das mais simples: estivera descascando cebolas para o próprio almoço.

  Quando os homens da tal rua da tal pequena cidade o viram passar desse jeito perguntaram-se.

- Um dervixe chorando? Por que chora ele, afinal? Algo de muito grave deve ter ocorrido na outra rua, pois não é de lá que ele vem?

   Então, uma mulher gritou, para que as outras ouvissem:

- É de lá, sim. É de lá. E pelo jeito com que chora, alguém deve ter morrido do outro lado da cidade.

   E outra:

- Morreu, sim. Eu sei quem foi. Um homem que muitas vezes vi passar. Tinha o rosto pálido, os cabelos caíam-lhe e as unhas estavam arroxeadas, os olhos esbugalhados, verdes de olheiras. Uma doença muito esquisita.

  Um menino correu, para avisar em casa:

- Mamãe, morreu um homem na outra rua. Tinha o corpo cheio de feridas, uma febre que não passava. E havia um dervixe chorando, porque também pegou a tal doença e está condenado.

- Deus tenha piedade dizer a teu pai.

  O menino foi.

- Papai, a mamãe mandou dizer que um homem morreu na outra rua, e de peste. E esta se alastra rapidamente. Parece que já tem um monte de gente com ela.

  Respondeu o pai:

- Já me disseram. Ia mesmo para casa, apressar a nossa partida. Não podemos ficar nem mais um dia aqui.

- O dervixe, porém, sem se dar conta do tumulto que causara por causa de uma cebola, continuava a andar e a chorar. Já pegara a estrada. Passavam por ele mudanças inteiras, com móveis, vestidos, tapetes, panelas. Lá iam carroças levando meninos, levando mulheres, levando velhinhos, levando animais. E só muito longe a caravana se detinha. Só longe, bem longe, depois das montanhas, alcançando o vale, os homens, mulheres, meninos, anciãos, de ambas as ruas, deixando para trás suas casas, negócios, empregos, pomares, quintais, armazéns, pararam enfim. De ambas as ruas que formavam a cidade, a triste cidade, chegavam as famílias.

  O trabalho era intenso, a construção não parava. De dia e de noite, toda a gente trabalhava, passando tijolos, erguendo paredes, telhados, cortando janelas, criando portais.

  E hoje quem passa onde um dia se ergueu a pequena cidade de só ruas surpreende-se ao ver as casas vazias e mortas que o tempo consome e o mato não pára de engolir. Enquanto lá longe, atrás das montanhas, alcançando o vale, uma nova cidade se ergue, tranqüila e sem memória.

  E tudo porque um dia um dervixe descascou cebolas para o próprio almoço.