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Curso de Formação de Professores

Curso de Formação de Professores

 

 

Assista ao vídeo de apresentação:

 

http://br.youtube.com/user/yogadham 

 

Estão abertas as inscrições do Curso de Treinamento de Professores de Iyengar Yoga da Yoga Dham para agosto.

 

Hoje com quase 90 anos de idade e mundialmente conhecido, Iyengar desenvolveu este método durante toda uma vida dedicada ao yoga.

O Yoga Dham reserva um espaço especial em São Paulo – confira fotos no site -  para o recolhimento necessário para que dezenas de pessoas vindas dos quatro cantos do Brasil possam mergulhar no universo do yoga durante cada fim de semana.

O curso é desenvolvido em 06 módulos durante 03 anos de estudo e prática de yoga conforme os ensinamentos de B.K.S. Iyengar.

O curso é orientado por Sandro Malburg Bosco, membro do comitê técnico da Associação Brasileira de Iyengar Yoga, que pratica e ensina yoga e meditação no Brasil, Europa, EUA e Índia há mais de 35 anos e com mais de 10 anos de prática de Iyengar Yoga. Essencialmente prático  - asanas e pranayamas - com mais de 600 horas de duração, inclui anatomia e filosofia e cultura hindu.

Mais informações: Escola Yoga Dham - Iyengar Yoga
11 3875-1079
11 3864-7534
www.yogadham.com.br
yogadham@yogadham.com.br
 
 


 



em Aprender e ensinar
Sandro Bosco às 14h31
Livre! mas no presídio

Livre! mas no presídio

 

 

Quando eu tinha 19 anos e estava começando a ensinar yoga uma amiga me convidou para dar aula no presídio do Carandiru na ala feminina.
Ela estava indo toda a semana e estava difícil. Eu aceitei, sempre gostei de desafios.
Revezávamos e deu certo, faz tempo, mas acho que durou mais de um ano.
Dávamos aula em uma capela. Havia uma porta que separava o altar do salão e nos separava tornando um espaço vazio e com um enorme pé direito num grande salão de yoga pois não havia bancos nem cadeiras. Minha voz ecoava, era imponente. Era o maior espaço que eu tinha dado aula até então.

Havia naquela época nos idos da década de setenta presas política que me pareciam que entendiam melhor o que eu queria ensinar. Todas elas entravam, quando pela primeira vez, e me olhavam como um ser estranho que estava lá para ensinar, o que mesmo??


Elas traziam para a aula no rosto, nos gestos, no olhar, nas couraças, nos movimentos e na vibração um peso gigantesco da situação do cárcere que incrivelmente se dissolvia no final da aula.

Yoga é união da mente com  o corpo, dos sentidos com o momento presente, a sensação de unidade traz expansão e isto era tudo que aqueles corpos sem movimento, atroviados do medo, da incerteza do espaço pequeno da prisão, das ameaças do pequeno espaço físico era tudo que elas necessitavam.

Aquilo tudo me lembrava a situação de Sri Aurobindo, um guru indiano, que eu estudava e praticava na época o Yoga Integral, que foi preso e encontrou a iluminação na prisão.


Recomendo este tipo de experiência a todos que se propõem a ensinar yoga. Você entra em outros universos, outros mundos e vai ter que se desdobrar na sua comunicação se quiser o mínimo de satisfação de sentir que esta ensinando alguma coisa. Marcelo Tas  me disse uma vez que achava que a comunicação mais fina é a do professor e aluno, e é verdade. E foi verdade naquele presídio!


Uma presa política depois de liberta foi me procurar no centro de yoga que eu ensinava yoga na rua maranhão, aonde até hoje é o Centro Médico Maranhão. Foi uma conversa única!

Ela trazia um livro para me mostrar do Alan Watts que explicava da entrada do pensamento oriental no ocidente. Seu rosto era um misto de assustada e grata. Compartilhou a ilusão de estar livre agora e que o yoga lhe trouxe o sabor de estar livre na prisão.

Homicídios, furtos, rebelião, política, as procedências daquelas presas eram muitas ou todas e me batia a sensação que carrego até hoje:


O yoga é para todos! A liberdade está dentro de cada um.



em Aprender e ensinar
Sandro Bosco às 15h28

 

Marichyasana - postura em homenagem ao antigo sábio Marichi, seu pai foi Brahma, criador do universo, e seu neto foi Surya o deus do sol, doador da vida. A prática regular deste asana alonga e rejuvenesce todo o corpo. Marichyasana aumenta os níveis de energia, massageia e tonifica os órgãos abdominais. Esta é uma versão mais fácil da postura.



Sandro Bosco às 20h31
Como uma onda no mar

Como uma onda no mar

No Shivaísmo do norte da Índia existe um ensinamento precioso chamado samarasa. Traduzido por "visão equânime" tocamos com esta tradução apenas a ponta do iceberg do ensinamento.
Sama é de fato a igualdade  e Rasa é o sabor o néctar existente na vida e nos momentos que compõem a vida que normalmente não conseguimos captar.
A mente furta de você todo o tempo a riqueza de perceber o presente. Você passa ao lado do seu melhor amigo e não o vê, pois está com olhos abertos, mas pensando, pensando, pensando ...
Jesus dissse:
 - Eu passarei ao seu lado e você não me reconhecerá.
A diferença da grande maioria de seres humanos e de um ser liberto que alcançou o estado mais elevado no caminho do yoga é que ele esta presente aqui e agora e você não. Ele olha e enxerga você e por isto sente você na sua totalidade. Você olha e o enxerga por segundos e logo a sua mente rouba de você o poder transformador do presente.

 A mente no presente, no aqui e agora dissolve o stress e traz saúde física e mental.

Por isto a vida as vezes parece enfadonha porque sempre imersos nos pensamentos a vida parece uma mesmice. Quando você pratica Samarasa você alimenta em você, no ouvir, no escutar, no sentir, no cheirar o frescor do novo. Samarasa é perceber o frescor de lembrar de saber e viver a verdade de que cada momento apresenta algo novo. É como a canção de Lulu Santos e Nelson Mota naquele verso que diz, “nada do que foi será igual ao que a gente viu a um segundo...”, não há uma onda do mar igual a outra e nisto está Samarasa. Quando você pratica yoga, se você pratica para você mesmo, ou se você oferece cada minuto da sua prática ao criador descobre o sabor de Samarasa, como quando você saboreia uma deliciosa fruta madura.
Uma historia do Zen narrada por D.T.Suzuki que conta que “Mestre e monge andavam pelas montanhas, quando o mestre perguntou”:
 - Sentes o aroma do loureiro ?
 - Sim eu sinto – disse o monge.
 - Então nada tenho a te ensinar.



em Espiritualidade
Sandro Bosco às 19h20
Você pensa como respira

Você pensa como respira


No yoga aprendemos a fazer os asanas – posturas -  usando o tônus a flexibilidade, a força de vontade e a concentração no que se está fazendo.
Nos pranayamas  - controle e expansão do prana, energia vital, através da respiração  - reaprendemos que não somos nós que fazemos o pranayama devemos comanda-lo sem comanda-lo. Assim os mesmos ingredientes que funcionam para o asana não funcionam aqui. Pranayama requer o abrandamento do “eu faço” passa-se para um outro estágio de percepção:
 - eu sinto que estou respirando ou que estou sendo respirado.
 A respiração é uma das ações involuntárias que pode se tornar voluntária agora e a qualquer momento daí nossa dificuldade de perceber que está respirando e não comanda-la, mas  quando isto acontece você começa a entrar no reino da meditação no estado consciente sem pensamentos.
 O Hatha Yoga Pradipika texto clássico escrito pelo Yogue Swatmarama, possivelmente escrito entre 600 e 1500 d.C. XIII afirma: “Prana Chitta vrittti nirodha", que significa, "assim como você pensa você respira” ou “se você acalma a respiração você acalma as ondas mentais”.
A respiração está intimamente ligada a nossa mente consciente e sub-consciente daí a dificuldade de percebe-la. È realmente poderoso nesta condição humana que vivemos conhecer melhor o processo da respiração. Não me refiro (somente) ao processo fisiológico mas conhecer nesta dimensão, siginifica perceber as flutuações e bruscas alterações dela durante o dia e durante a sua prática do yoga.
Quando o meu primeiro filho nasceu o parto se deu em casa  e estavam juntos conosco o  obstreta e uma ajudante - ver livro "Como vai ser o meu parto" do Dr.Jorge Hodick editora Mercurio – ao sair do ventre materno o colocamos no colo da mãe para que o embalar da respiração dela lhe mantivesse o sentido de proteção e o embalasse para o seu novo estagio de respiração dali a instantes. Depois de alguns minutos o médico me deu a tesoura para que eu cortasse o cordão umbilical, eu o fiz. Foi inesquecível aquele instante, foi eterno, perceber aquelas primeiras curtas inspirações daquele “serzinho” recém nascido até que seu pulmão se enchesse, era o início da longa jornada de puraka e rechaka, inspiração e expiração. Estava diante da magnitude da natureza, da sabedoria natural da sobrevivência, o momento divino da primeira inspiração, o início da longa dança da mente, a longa dança da consciência começava, puraka e rechaka, inspiração e expiração.
 No yoga é dito que o tempo de vida de uma pessoa compõe-se do numero de puraka e rechaka. Animais longevos como as tartarugas respiram devagar, tem poucas respirações completas por minuto, outros de vida curta respiram rapidamente e muitas vezes por minuto.
Dez anos depois, quando meu pai morreu eu estava ao seu lado na casa dele com uma grande amiga médica. Novamente o grande momento da respiração, do ultimo rechaka, expiração, nesta vida. Novamente para mim marcante, forte e poderoso, a impermanência da vida se revelava a minha frente, a dança de puraka e rechaka terminava ali a minha frente. Experiências como estas me trouxeram mais próximo a consciência do pranayama, a dança da respiração que rege a dança da mente, rege a dança da consciência, a dança de chitti shakti, a energia espiritual da consciência onipresente,   minuto a minuto, instante a instante.



em Espiritualidade
Sandro Bosco às 09h13
Corpo em expansao

Corpo em expansao

 

O resultado do envelhecimento precoce é um corpo tenso, encolhido, atrofiado. “Com menos movimentos e flexibilidade, inicia-se um desinteresse natural pelo mundo. A maior dificuldade de viver apresenta-se na sua base: a perda da mobilidade e da independência de ir e vir”, diz Sandro Bosco, professor de Iyengar Ioga, de São Paulo.

 

Leia a integra desta reportagem publicada na edicao de julho/2008

 

http://vidasimples.abril.com.br/edicoes/068/simples_assim/conteudo_284272.shtml

http://vidasimples.abril.com.br/edicoes/068/simples_assim/conteudo_283923.shtml



em Aprender e ensinar
Sandro Bosco às 22h56
Yoga não é acrobacia.

 

 

Hoje o meu funcionário no Yoga Dham me leu esta frase que ele encontrou de B.K.S.Iyengar. “Yoga sem espiritualidade é mera acrobacia”.
Há tempos atrás eu a tinha lido, mas hoje parei para contemplá-la.
De primeira soa ótimo, pois estamos repletos de exibicionismo por aí o que segundo esta visão, exibição não combina com espiritualidade. Mas o que é espiritualidade ? Ou melhor, o que não é espiritualidade? Se estou praticando em uma sala de aula de yoga com mais pessoas e estou em algum momento ou em vários momentos ou o tempo todo considerando se alguém esta me vendo e pensando “como eu faço bem esta postura” ou o oposto, com vergonha da postura que eu não sei fazer direito e alguém está reparando nas minhas imperfeições; estas são somente as duas faces da mesma moeda chamada “vaidade”. Minha mente está indo para fora!
Mas então o que é espiritualidade?
Em meados do século xx foram encontrados no vale do rio Indo sinetes em escavações arqueológicas datadas de 3º milênio antes de Cristo, e mostram figuras sentadas em posições meditativas tais como as que conhecemos hoje nos nossos diversos sistemas atuais de yoga. Podemos então arriscar que desde aquela época conhecia-se alguns rudimentos do yoga, e que o yoga como um grupo de técnicas de introspecção sistemática já se fazia presente então na Índia desde 5000 anos atrás.
Introspecção é a palavra!
Se você está voltado para dentro através da prática do yoga não dá para haver acrobacia no sentido exibicionista. E se você não está voltado para dentro não há foco na sua prática de yoga.
O yoga leva para dentro.
Quanto?
As escrituras yogues antigas de séculos atrás diziam que “Dentro dos átomos existem mundos e mundos”.
Os milenares tratados hindus de Vaisesika já traziam o conceito de partículas infinitamente pequenas da qual é composta a matéria.
Mas como os yogues do passado descobriram isto que os nossos cientistas demoraram milênios?
Introspecção é a palavra.
Quando você se volta sistematicamente para dentro através do yoga e meditação os yogues afirmam que você descobrirá que não há dentro nem fora, e que luz interior é maior que o maior é menor que o menor. E que a essência desta luz ou deste estado é puro êxtase.
Vale a pena!



Sandro Bosco às 22h49