Dharma - lembrança e esquecimento
É dito que o Dharma protege. Dharma é a lei cósmica, é o dever, a reta conduta, a religião.
Seguir o Dharma de professor protege-o como professor, seguir o Dharma de estudante protege-o enquanto estudante, seguir o Dharma de filho protege-o como filho, seguir o Dharma de pai protege-o enquanto pai e assim se seguem os infinitos Dharmas. Assim seguindo o Dharma como um ser humano protegemos a humanidade.
Seguir o Dharma do yoga protege-o no caminho do yoga. Um dos Dharmas do yoga é a lembrança da minha real natureza. A lembrança de quem eu sou me conecta com o meu atma – alma ou ser interior - . A mente me torna vulnerável a esquecer quem eu sou, esquecer a minha real natureza pois a mente é levada pelos aspectos externos do mundo ela é seduzida pelos órgãos de percepção para fora para buscar a minha satisfação e confiança fora. Mas fora só há o mundo impermanente.
Ser o Sandro, ser o professor, ser o pai, ser o filho, e assim por diante é importante para me situar na sociedade e nesta vida, ou nesta encarnação como nos lembram as escrituras yogues. Mas a lembrança permanente deve ser a do aspecto permanente de quem eu sou.
Todos estes papeis que assumi até agora são meus e de minha inteira responsabilidade mas são impermanentes. É preciso treinar a mente e fortalece-la para ela lembrar sempre e todo dia de “quem eu sou”.
É como diz a piada:
- Para o piloto do avião tirando ele e a aeromoça o resto é tudo passageiro.
Damos mais valor ao que temos do que o que somos. Porque dar mais valor ao que vai ficar neste mundo.
O importante é oque eu tenho internamente. Minhas virtudes mais elevadas.
O sábio não se altera com o mal humor do outro porque é do outro. O que falam sobre você ou sobre mim não devem nos afetar. Elogios ou depreciações tem o mesmo veneno: tumultuam o ego e a mente, turvam a lembrança da minha real natureza.
Na repetição do mantra da meditação SO’HAM eu estou dizendo: eu sou Ele, eu sou todo expansivo, meu ser não tem limites!
Para a felicidade dos praticantes de yoga este mantra habita no som de cada respiração, é o ajapa japa, a repetição do mantra que se faz por si só durante toda uma vida.
Quando inspiro posso escutar “SO” quando expiro “HAM”
Quando pratico yoga e meditação e minha mente cessa com os turbilhões de pensamentos contínuos aí é o momento da "lembrança". Quando os pensamentos voltam eu esqueci da “lembrança”.