Reflexões no paradoxo

Por que a dificuldade de se voltar para dentro?
Mas o que é que eu vou encontrar lá ? E se eu não encontrar nada? Como é que fica, dá para voltar?
Isto era o que uma aluna queria me perguntar outro dia. Hoje eu dava aula e via umas pessoas na dificuldade de se concentrar em seu próprio corpo. Dava para ver a resistência de abandonar o tão cotado pelos nossos sentidos ou órgãos de percepção:
“ mundo exterior”.
Parece que 99% da população deste planeta (será mais ou menos?) para voltar-se para dentro, e, se entregar precisa necessariamente adormecer. E aí na mais santa in-consciência do sono consegue voltar-se para dentro. Mas o yoga e a meditação propõe algo oposto. Voltar-se para dentro na mais clara consciência. Na mais atenta das atenções. Observar sem julgar é a clareza. Observar e julgar é a fuga. Fuga do vazio. Por detrás do pensamento existe o que ? Existe outra coisa que não é o pensamento. Vazio? Então meditar para que, para encontrar o vazio, para a vida ficar vazia? Dá medo? E se você de repente escorregar no yoga lá para dentro e mergulhar em si mesmo e descobrir que você não está lá. Não tem ninguém lá. É só um espaço vazio. É só um vazio sem som. Dá medo? Mas medo é aquilo que é mais difícil do humano admitir. Por isto escolha o professor de yoga que pelas posturas ajude você e seu corpo a entrar em contato com o famigerado “medo”. Mas voltando ... então como fica, meditar para que? Fazer yoga para que, se no fim é o vazio.
No antigo texto yogue do Vijnana Bhairava, a dança dialogada entre Shiva e Shakti, este vazio tem nome, Sunya. Quase lembra “um quadro do Escher ‘o fechado e aberto em si mesmo”. Aquilo que nunca acaba mas nunca começa. Outras escrituras yogues trazem o que poderia ser um alívio dizendo que “o ser interior é maior do que há de maior, e menor do que o que há de menor. Paradoxal? Nem tanto pois onde terminam os pensamentos começa a existência.