Blá, Blá, Blá
Hoje em dia
Muitos pontos importantes da aula de yoga não são ditos pelo seu professor(a). É normal que o professor(a) esteja atento ou na execução dos yogasanas - posturas - ou na filosofia, contudo hoje há uma quantidade maior de pessoas tornando-se professor(a) de yoga sem o devido preparo, em cursos que duram “um fim de semana”. Isto acaba transformando a aula de yoga em um mero programa de alongamento.
Blá, blá, blá
Outros por não saberem muito bem o que fazer com o corpo do aluno nas posturas e como resolver as dúvidas, dificuldades ou dores que advém disto, tornam a aula um show de informações místicas, falando de chakras – centros de energia – sem terem experimentado-os em si mesmo. Treino pessoas para se tornarem professores de yoga e minha principal recomendação é: “fale daquilo que você viveu, fale daquilo que você pode ver com seus dois olhos ou já viu”. É muito fácil envolver pessoas com misticismo esoterismo ou parafrasear palavras sábias, mas estes recursos do professor nem sempre vinga no aluno como algo que possa construir um autêntico interesse dele pelo yoga ao menos que tenha vindo da sua própria experiência como professor, estudante e praticante de yoga: três em um.
Antigamente ...
Na tradição yogue um aluno ou discípulo permanecia 12 anos com o mestre para receber uma iniciação. Antes disto eram só testes para checar seu real interesse pelo yoga. “Tudo bem” alguém vai dizer, “os tempos mudaram”. E quanto tempo o mestre o autorizava a começar a ensinar ou ser um representante dos seus ensinamentos?
Conta uma historia que ...
na escola de artes marciais um jovem candidato a lutador, apressado e ambicioso atravessou o Japão
em busca de um afamado instrutor de artes marciais. O mestre o recebeu e ouviu:
- Desejo estudar caratê, e me tornar o maior lutador do país. Em quanto tempo posso preparar-me?
- Nunca menos de dez anos – respondeu o mestre.
- Quanto tempo! E se eu praticasse em dobro?
- Vinte anos!
- Sim?!! E se dedicar-me noite e dia ao caratê?
- Neste caso, trinta anos.
O rapaz estranhou:
- Mas não entendo quanto mais vos proponho dedicação, mais tempo dizeis que vou precisar?
E o mestre:
- Oh, sim. Quando um olho está fixo onde se quer chegar, só resta um para encontrar o caminho.