Blog do Yogue

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Sobre o blog

A idéia deste meu blog é trazer o mundo do yoga e da meditação mais perto do seu cotidiano.

Adoro responder e investigar sobre este assunto, pois é uma forma preciosa de conhecer mais este universo.

Este nome “blog do yogue” é porque vamos aproveitar a sabedoria de muitos e muitos yogues do passado e do presente para rechear e iluminar o nosso dia a dia. Yogue para quem não sabe é um sábio. E mais propriamente é aquele que chegou lá! Chegar lá no yoga é uma das muitas coisas a se saber...

27/08/2008

Dê tudo de si.

Dê tudo de si.

Uma aluna me perguntou por que muitas pessoas só procuram o yoga quando estão doentes ou necessitadas por crises pessoais.Acho que ainda é assim, antigamente quando comecei a ensinar yoga era muito mais assim e hoje com a divulgação que o yoga tem recebido já é menos. Esta pergunta dela me fez lembrar a seguinte história da rã que Osho conta. ------------------------------------------------------------------------ A rã esperta ------------------------------------ Uma rã entrou em sulco de uma estrada lamacenta. Entrou, mas não conseguiu sair. Era muito difícil. Tentou - e nada! Seus amigos ajudaram, fizeram tudo o que podiam. A noite estava chegando e foi num estado muito deprimido, frustrado que tiveram que deixar à sua sina. No dia seguinte, os amigos pensaram que já estivesse morta, porque o sulco era exatamente na estrada. Foram vê-la e a encontraram saltando aqui e ali. Então perguntaram:- O que aconteceu? Como conseguiu sair do sulco ? Parece impossível um milagre! O que aconteceu?Disse a rã:- Nada! Um caminhão veio e eu tive que sair. O caminhão estava chegando e eu tinha que sair! - ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Já tive muitos alunos em situação terminal e eles vem com uma grande expectativa no yoga, mas na maioria das vezes já não tem mais nenhuma reserva de ânimo mental ou físico. Em 1998 e 99 trabalhei com muitas pessoas na condição de soros positivos, eu ensinava yoga, uma série para o sistema imunológico, e se sentiam realmente melhor. Alguns se tratavam no sistema gratuito de saúde do governo do estado de São Paulo, na época um dos melhores do mundo neste quesito, e outros que tinham melhor condição financeira se tratavam com médicos que cobram e caro. Mas enfim eram unânimes os médicos em dizer aos seus pacientes/meus alunos(as) "não pare, continue a praticar esta yoga". Mas a maioria quando melhorava mais: parava.Assim é a história da rã aplicada à natureza humana, as pessoas tem todo o potencial de crescerem espiritualmente, pessoalmente, humanamente falando mas, é preciso que situações da vida pressione para que a pessoa dê o mais e melhor de si. Mesmo entre yoguins praticantes que se dizem yogues, praticam yoga como se tivessem a eternidade pela frente.Isto porque a maioria dos humanos leva e tem a vida como garantida. Mas quem lhe deu esta garantia? No minuto seguinte estarei aqui neste corpo? Em situações de perigo ou terminais ocorrem grande transformações, a rã dá tudo de si e pula fora do lamaçal!

Por Sandro Bosco às 15h48

25/08/2008

O prana é o bem precioso.

O prana é o bem precioso.

"Pránasamácáre samadarsanam"Equilíbrio na respiração traz igualdade na consciência.Shivasutra 3.22.A palavra prana significa a energia vital como significa também a respiração. Quando a respiração está equilibrada, quando naturalmente a entrada do ar, puraka, a exalação, rechaka e a parada ou intervalo entre os dois movimentos, kumbhaka, estão harmoniosos em ritmo, intensidade e qualidade, a mente vê unidade na dualidade, por outro lado quando existe desequilíbrio no prana a mente só vê dualidade na unidade.Quando os pensamentos brotam a dualidade surge.O pensamento constrói sua teia infindável de associações e passeia preso na ilusão, nos julgamentos desnecessários, conduzindo a compreensão humana para o reino da deusa Maya, a deusa que nos encobre com o véu da ilusão, fazendo-nos crer que o que pensamos é real. Com a mente encadeada pelas vrittis, as ondas e oscilações mentais,nossa visão da realidade é turvada, não escutamos mais o som do riacho, do vento, nem mesmo a voz do amigo a sua frente. Uma das traduções da palavra Maya é dispersão.O prana é tudo, sem ele não há consciência. O prana está na água, nas partículas ou moléculas dos alimentos, no ar que respiramos. Para o yogue o prana é um bem precioso, ele economiza na digestão comendo adequadamente, economiza nas palavras falando o essencial, pratica regularmente para nutrir-se com o prana e para conseguir a igualdade na respiração como ensina acima o texto sagrado chamdo de Shiva Sutras que significa os aforismos do Sr.Shiva ( o criador do Yoga) que foi revelado a um sábio no século oitavo na Cachemira, no norte da India.

Por Sandro Bosco às 22h11

19/08/2008

Yoga e pureza da mente.

Yoga e pureza da mente.

Em 1983 eu estava de viagem para a Índia e uma grande amiga que havia morado por um bom tempo no ashram (é a casa do Guru também entendido como uma comunidade yogue) de Sri Aurobindo em Pondicherry no sul da Índia me pediu para entregar uma carta a um amigo dela, o Mr. Dilman.
No meio da viagem, quando ainda faltavam mais de 10 dias para eu chegar lá, eu recebi um telefonema do Brasil me avisando que esta minha querida amiga, a Beá, havia falecido.
Pondicherry é um lugar quente e o Samadhi Shrine (eremitério aonde estão enterrados yogues que alcançaram a iluminação em vida) do yogue Sri Aurobindo e de sua principal discípula a francesa conhecida por “ A Mãe” é ao ar livre e coberto por um enorme e antigo flamboyant – que estava florido naquele mês de janeiro- e seus galhos se espalham como um manto protetor sobre  aquela santidade tranqüila e pulsante do local. As 17h os ashramitas (residentes) e quem mais quissesse, chegavam silenciosamente e  se reuniam em silêncio para meditar por quase uma hora, era um momento glorioso, banhado pelo profundo respeito dos meditadores locais para com aqueles santos. A duas quadras do mar do oceano Índico ainda recebia de sobra uma brisa e perfume do mar.
Uma vez em Pondichery eu logo procurei Mr. Dilman. Ele falava inglês fluente carregado do gostoso sotaque indiano e aparentava bem mais de setenta anos, era magro e lépido, um velhinho com movimentos graciosos e um olhar quase infantil de tanta pureza.
 - Mr. Dilman – eu disse depois de ter me apresentado – eu sou o amigo da Beá, sua amiga e trago do Brasil uma carta dela para o sr. .Seus olhos brilharam tranqüilos e felizes.
 - Mas tenho que lhe dizer que depois da minha chegada aqui em solo indiano fui informado que ela veio a falecer., - neste momento que eu esperava ser difícil, ele exclamou preenchido de uma espontaneidade inesquecível.
- “Oh, It doesn´t matter, she is here with us”,  “Ah, não faz mal ela está aqui conosco” – oque me desarmou e me trouxe um nó na garganta. Ele me convidou para entrar no seu quarto no ashram, austero e simples, colocou a carta em uma prateleira e me convidou para ver rochas e pedras que achava nos campos da região e colecionava. Seu olhar para aqueles minerais eram como jazidas de ouro para um comerciante.
Aquele foi um momento marcante para mim porque pude perceber a purificação obtida em um ancião praticante de yoga. Não havia mais no coração do Dilman nenhuma faísca de noção de separação. Tudo era yoga tudo estava unido.
A afirmação das escrituras do yoga que dizem “eu e você somos um” , “eu e Ele somos um” e a que a morte é apenas um aspecto da vida, preenchia a mente, a emoção, as palavras, os movimentos e o olhar profundo dele. Sempre agradeço a vida por ter sido mensageiro desta preciosa carta e por ter tido este encontro com o notável Dilman de Pondicherry.

Por Sandro Bosco às 18h26

14/08/2008

A meditação está atrás dos pensamentos.

A meditação está atrás dos pensamentos.

... medite, deixe seus pensamentos, não lute contra eles,

aceite-os, observe o fluxo da respiração.

O grande Bhakti Yogue, Sri Ramakrishna de Calcutá / India, dizia:

"Os que passam a discutir as boas ou más qualidades alheias apenas perdem tempo.

Porque esse tempo não é empregado em pensar sobre si mesmo, nem pensar sobre o Ser Supremo,

mas sim em cogitações que a nada levam, porque dizem respeito a terceiros".

Por Sandro Bosco às 18h21

01/08/2008

Dharma - lembrança e esquecimento

Dharma - lembrança e esquecimento

É  dito que o Dharma protege. Dharma é a lei cósmica, é o dever, a reta conduta, a religião.
Seguir o Dharma de professor protege-o como professor, seguir o Dharma de estudante protege-o enquanto estudante, seguir o Dharma de filho protege-o como filho, seguir o Dharma de pai protege-o enquanto pai e assim se seguem os infinitos Dharmas. Assim seguindo o Dharma como um ser humano protegemos a humanidade.
Seguir o Dharma do yoga protege-o no caminho do yoga. Um dos Dharmas do yoga é a lembrança da minha real natureza. A lembrança de quem eu sou me conecta com o meu atma – alma ou ser interior - . A mente me torna vulnerável a esquecer quem eu sou,  esquecer a minha real natureza pois a mente é levada pelos aspectos externos do mundo ela é seduzida pelos órgãos de percepção para fora para buscar a minha satisfação e confiança fora. Mas fora só há o mundo impermanente.
Ser o Sandro, ser o professor, ser o pai, ser o filho, e assim por diante é importante para me situar na sociedade e nesta vida, ou nesta encarnação como nos lembram as escrituras yogues. Mas a lembrança permanente deve ser a do aspecto permanente de quem eu sou.
Todos estes papeis que assumi até agora são meus e de minha inteira responsabilidade mas são impermanentes. É preciso treinar a mente e fortalece-la para ela lembrar sempre e todo dia de “quem eu sou”.
É como diz a piada:
 - Para o piloto do avião tirando ele e a aeromoça o resto é tudo passageiro.
Damos mais valor ao que temos do que o que somos. Porque dar mais valor ao que vai ficar neste mundo.

O importante é oque eu tenho internamente. Minhas virtudes mais elevadas.
O sábio não se altera com o mal humor do outro porque é do outro. O que falam sobre você ou sobre mim não devem nos afetar. Elogios ou depreciações tem o mesmo veneno: tumultuam o ego e a mente, turvam a  lembrança da minha real natureza.

Na repetição do mantra da meditação SO’HAM eu estou dizendo: eu sou Ele, eu sou todo expansivo, meu ser não tem limites!
Para a felicidade dos praticantes de yoga este mantra habita no som de cada respiração, é o ajapa japa, a repetição do mantra que se faz por si só durante toda uma vida.
Quando inspiro posso escutar “SO” quando expiro “HAM”

Quando pratico yoga e meditação e minha mente cessa com os turbilhões de pensamentos contínuos aí é o momento da "lembrança". Quando os pensamentos voltam eu esqueci da “lembrança”.

Por Sandro Bosco às 16h10

Sobre o autor

Sandro Bosco

Certificado internacional de Iyengar Yoga. Ensina e pratica yoga e meditação há mais de 40 anos, coordena a escola Yoga Dham. Neste blog compartilha regularmente todas estas experiências.

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